terça-feira, 16 de abril de 2013

Jeitosinha - Cap. XXX


JEITOSINHA
Capítulo XXX
Diva


Jeitosinha entregou ao pai uma caneta e um pedaço de papel.
- Assine esta folha.
- M-mas... está em branco filha...
- Apenas assine!
- M-mas... Filha... Você sabe que eu não tenho nenhuma posse...
- Assina logo!
Meio vacilante, Ambrósio escreveu seu nome no papel. A letra trêmula, registrou algo que parecia seu nome.
- PERFEITO! – exclamou Jeitosinha
- Estou livre agora?
- Acho que Sim... - disse a moça, sorrindo sarcasticamente - Tenha bons sonhos... PAPAI!

Jeitosinha foi para seu quarto e esperou pacientemente que todos voltassem para casa. A mãe, que sempre se envolvia nas atividades da Igreja, voltou de uma novena. Os irmãos foram chegando, um a um, se amontoando em volta da TV, como sempre faziam. Normalmente Arlindo, mais arredio, preferia ficar lendo em algum canto da casa, até que todos se recolhessem. Esta era a hora em que finalmente tinha a sala só para ele. Com o controle, ele ficava zapeando os canais de TV, tendo a liberdade de assistir o que quiser.
No silêncio da madrugada, sem nada de muito interessante na programação, Arlindo já estava entediado, pensando em ir para a cama. Então Jeitosinha aproximou-se de Arlindo, vestida como uma Diva do cinema. Usava um longo vestido negro, que exibia seus ombros e expunha parte dos seios, num decote quase pornográfico. O tecido colado em sua pele como um super Bond seco, mostrava cada contorno de sua silhueta, o conjunto seios fartos, 60 de cintura, e 105 de bundinha que deixava qualquer homem sem palavras. A abertura lateral, por onde podia-se ver furtivamente a longa extensão de sua perna esquerda... O par de luvas cobrindo os braços até além do cotovelo... Tudo remetia a inesquecível Gilda.
Arlindo surpreendeu-se com a maturidade da beleza da irmã, que trazia num copo uma dose de uísque on the rocks.
- Sabe, irmão, às vezes a felicidade chega até nós por caminhos estranhos... – disse a diva aproximando-se de Arlindo, deixando-o ainda mais nervoso.
- O que você quer dizer? - espantou-se.
- Quero dizer que encontrei meu verdadeiro eu no bordel de Madame Mary. E devo isso a você.
Levantando o copo como uma forma de brindar o sucesso de encontrar seu próprio eu, Jeitosinha sorveu um gole generoso de uísque e ofereceu o copo ao irmão.
- Beba comigo. Vamos selar com esta dose de uísque a paz entre nós. – ao dizer essas palavras, Jeitosinha sentou-se em uma das pernas de Arlindo. A respiração ofegante de Arlindo deixava clara sua situação, que logo depois foi confirmada quando sentiu que sua bermuda estava ficando apertada demais na região frontal.
Arlindo pegou o copo com desconfiança. Mas a irmã acabara de provar da bebida, descartando a possibilidade de que ela estivesse envenenada.
Extremamente nervoso, ele bebeu todo o líquido do copo, tentando normalizar a situação, devolvendo-o à loira.
Jeitosinha pegou uma pedra de gelo e passou provocativamente nos lábios, descendo para o pescoço, e em seguida para os seios. Arlindo, acompanhou o caminho que o gelo fazia e Jeitosinha, ainda não satisfeita, debruçou-se sobre Arlindo, alisou sua coxa direita e, tocando os lábios em seu ouvido esquerdo murmurou:
- Amanhã, irmão querido, todos nós começaremos uma vida nova...
A loira disse esta frase enigmática e se retirou.
Arlindo ficou sem se mexer por alguns segundos, ainda sob efeito da sedução que sua própria irmã acabara de realizar.
O rapaz chegou a pensar que sua irmã estava tão desequilibrada quanto o pai.
Mas logo voltou a entreter-se com um filme barato de TV, antes de mergulhar em um sono profundo.

O que pretende Jeitosinha???
Aguarde os novos planos da nossa Diva, em um capítulo inédito!
Somente aqui!

(Autor Desconhecido)
Texto adaptado por Tina Chaves

segunda-feira, 15 de abril de 2013

JEITOSINHA - Cap. XXIX



JEITOSINHA
Capítulo XXIX
Ele se lembrará?

- Ambrósio, acho melhor você ir descansar... o dia foi muito cheio. – disse Marilena, tentando aliviar a tensão naquela sala. Eu vou até a igreja e já volto.
- A gente também tá saindo! Bora Anibal? – disse Arlindo
- E você Jeitosinha? Eu... vou estudar no meu quarto.

Em sua casa, sozinho no quarto, Ambrósio tentava reorganizar suas ideias. “Será que fuii mesmo vítima de Jeitosinha? E os homens verdes?”
Novas imagens se formaram em sua mente depois do choque diante da detetive Vanessa. Lembrava-se, remotamente, de uma linda menina loira, que ele amava muito. “Sim, talvez fosse Jeitosinha”. Ele começava a se lembrar dela.
Mas para preservar sua sanidade, Ambrósio estava disposto a não associar a filha àquela cena dantesca e simplesmente esquecer o ocorrido.

Jeitosinha não.

Aproveitando-se do fato de que estavam a sós na casa, a moça entrou no quarto dos pais para conversar com o seu deformado genitor...
- Papai...
- J-jeitosinha? - Ambrósio ainda tinha uma ponta de medo na voz - D-desculpe-me pelas acusações na sala. Minha cabeça não anda boa.
- Engana-se, velho sórdido. Sua cabeça anda melhor do que você pensa.
Ambrósio foi tomado pelo pânico! Aquele sorriso sarcástico e cruel de Jeitosinha o assustava!
Sim, não fora uma fantasia! Jeitosinha o havia mutilado com a moto-serra!
- Não! - Gritou o homem - Me deixe em paz! Socorro!
- Grite... Ninguém lhe ouvirá.
- Não me mate! - implorou, de joelhos, abraçando os pés da loira.
- Eu não seria tão imbecil. Não agora, com aquela detetive intrometida por perto. Mas eu lhe aviso: se repetir aquelas acusações para quem quer que seja, não pensarei duas vezes antes de consumar o serviço que pensei ter finalizado...
- Sim, sim... - disse Ambrósio, patético, entre lágrimas - Serei um túmulo! Mas... Por favor, me ajude... Ainda não sei se estou bem... Me lembro de algumas imagens completamente surreais... Homens verdes e... e...Jeitosinha sorriu maliciosamente, abriu o zíper expôs seu enorme mistério.
Ambrósio deu um salto para trás.
- Sim, Ambrósio. Pelo menos isto é real. Mas que história é essa de homens verdes? Que idiota colocaria estúpidos homens verdes em nossas vidas, tão cotidianas?
O homem sacudiu a cabeça, confuso. Jeitosinha acariciou sua face, fazendo homem se encolher ainda mais.
- Vou deixar-lhe em paz por enquanto. Mas tenho um pedido, papai: você me ajudará no meu próximo plano de vingança...

Qual será o plano de JEITOSINHA??? Não perca, amanhã, capítulo inédito!

(Autor Desconhecido)
Texto adaptado por Tina Chaves

sexta-feira, 12 de abril de 2013

JEITOSINHA - Cap. XXVIII


JEITOSINHA
Capítulo XXVIII
Lembranças

- É mentira! - Gritou Jeitosinha diante da acusação.
- Cale-se! Deixe o homem concluir seu relato! - disse a detetive. E voltando-se para Ambrósio:
- Diga, senhor... Ela fez isso com você. E depois?
- Sim, estou me lembrando. Ela apareceu, nua, violenta... depois... depois...
- Depois o que? Diga, por mais estranho que pareça! – Vanessa estava quase tendo um orgasmo de excitação. – podemos juntar as peças e achar respostas!

- Doutor... Quais as chances? - perguntou o angustiado rapaz. – Diga-me tudo, não me esconda nada!
- Adenaíra contraiu uma gravíssima infecção hospitalar... Sua situação é complicada. Ela pode simplesmente se entregar à doença e as chances serão mínimas. Mas se ela se apegar a algo que a faça querer viver, e se o antibiótico em estoque não for de Maizena, talvez ela tenha alguma chance.
- É uma pena... Gostaria de poder ajudar.
- Você pode! - disse o médico - Ela o ama! Dê-lhe esperanças!
Thiago ficou pensativo, continuava perdidamente apaixonado por Jeitosinha. E o que é pior: por Jeitosinha completa, versão de fábrica. "Se Adenair soubesse que seu sacrifício ao realizar a cirurgia apenas aumentou o abismo entre nós...", refletiu. Mas por outro lado, tentar salvar uma vida era motivação suficiente para fazê-lo recuperar o amor pela sua própria
existência, depois da grande desilusão de encontrar a amada trabalhando num bordel. Via a situação como algo maior que uma simples coincidência de estarem juntos num mesmo ambulatório. Havia algum sentido em tudo isso...
- Tudo bem, doutor. Eu vou ajudar! - concluiu, conformado com aquele jogo do destino.

Enquanto isso Ambrósio continuava seu relato:
- Depois... depois homens verdes, numa nave espacial, me trouxeram de volta à vida! Foi isso!
A policial sorriu, constrangida, e abraçou o fragilizado Ambrósio.
- Homens verdes? É uma alucinação, sem dúvida... Por hoje é só. Mas me aguardem. Vou continuar as investigações.
Jeitosinha sentiu-se mais leve. Marilena e Arlindo olharam para o pai e para a loira, com expressões indecifráveis.

Será que Ambrósio irá insistir na sua história maluca?
E a família de Jeitosinha? Irá acreditar?
Confira amanhã, em um capítulo inédito!

(Autor Desconhecido)
Texto adaptado por Tina Chaves

quinta-feira, 11 de abril de 2013

JEITOSINHA - Cap. XXVII


JEITOSINHA
Capítulo XXVII
O Futuro de duas irmãs

A detetive Vanessa entrou e sentou-se no sofá que outrora estivera coberto pelo sangue de Ambrósio. Acendeu um cigarro e cruzou lentamente as pernas,
numa cena que lembrava Sharon Stone em "Instinto Selvagem".
- Creio que você chegou tarde... - apressou-se em explicar Marilena - Meu marido já voltou.
- Ele é o Ambrósio? - Espantou-se Vanessa, sem conseguir esconder sua expressão de asco - E o que ou quem fez isso a ele?
- Ainda não sabemos - disse Arlindo.
- Com certeza foi algum acidente... - emendou Jeitosinha, um pouco nervosa.
A experiente Vanessa percebeu o ambiente pesado do lar. "Aqui, com certeza, se escondem grandes segredos", pensou. Fascinada por seu
ofício, naquele momento a bela detetive soube que não teria sossego enquanto não desvendasse cada detalhe do que já chamava de "Caso
Ambrósio".
- Conte-me, meu bom homem. Quem lhe feriu?
Ambrósio tremeu à simples lembrança de fragmentos da cena, que ele sequer conseguia verbalizar.
- N-não me lembro. Não quero saber. Eu estou bem.
A mulher tocou Ambrósio carinhosamente.
- Procure se lembrar... Estas marcas... Foi, sem dúvida, uma arma cortante. Talvez uma lâmina grossa... Uma serra...
- Não! - Ambrósio enconlheu-se, em pânico, protegendo a cabeça com as mãos...
Jeitosinha sentiu um arrepio na espinha. E se o pai recobrasse a memória?
A detetive Vanessa continuou seu trabalho. - Procure se lembrar... Uma pessoa, uma imagem...
Ambrósio subitamente silenciou-se. Com os olhos fixos na linda policial exclamou baixinho:
- Sim... Eu me lembro de algo. Sim!
- O que? O que? - A excitação de Vanessa era quase sexual.
- Foi ela! Foi ela! - gritou, apontando para Jeitosinha.
E todos voltaram-se para encarar Jeitosinha.

Enquanto isso Adenaíra agonizava em seu leito
Thiago, chocado com seu estado, recordava as lembranças do ex-cunhado: “O Adenair que conheci era tão alegre, tão saltitante... Assim, adormecido e com esta touca, é incrível a semelhança com Jeitosinha", pensou. Adenaíra abriu os olhos e viu Thiago, ao seu lado, com as bandagens envolvendo a cabeça.
- O que houve, meu amor? - balbuciou.
- Nada, não se preocupe. Caí da escada - mentiu o rapaz, numa tentativa de minimizar o sofrimento daquela recém mulher.
- E-eu... f-fiz isso por você, Thiago. Fiz por amor...
Os olhos de Adenaíra voltaram a se fechar.
- Doutor... Quais as chances? - perguntou o angustiado rapaz.


E agora? Será que o segredo de Jeitosinha será revelado?
E o que acontecerá com Adenaíra?
Confira amanhã, em um capítulo inédito!

quarta-feira, 10 de abril de 2013

JEITOSINHA - Cap. XXVI


JEITOSINHA
Capítulo XXVI

- Estou na paraíso! Só pode ser!
Thiago não conseguia se mover diante daquilo que julgava ser o melhor lugar que existe.
A imagem foi se afastando e Thiago sentiu uma dor forte no peito, ao mesmo tempo que seu coração parecia parar de bater.
Viu então a imagem de um homem de roupa alva, parado ao seu lado.
- Anjo Gabriel?
O homem sorriu.
De repente Thiago sentiu uma cutucada – AI!
Seu delírio foi interrompido pela penetração contundente, dolorida e firme de uma agulha de injeção.
O homem de roupa alva, que estava ao lado da cama onde o jovem estava deitado, respondeu:
- Você nasceu de novo, filho. A bala acertou de raspão a sua fronte.
- O-onde estou?
- No ambulatório de um hospital público.
Thiago percorreu o lugar com os olhos, sua visão embaçada, não o permitia ver exatamente o local. Fixou o olhar e não acreditou no que viu:  com uma touca cobrindo os cabelos, adormecida na cama ao lado, encontrava-se ninguém menos que sua amada.
- Jeitosinha! - Exclamou. Mais uma vez Thiago imaginou que estava morto, como Jeitosinha estaria ali ao seu lado, seu grande amor, tudo o que ele mais sonhou na vida era tê-la novamente em seus braços, para viverem juntos por toda a eternidade e agora ela estava ali, ao lado. Tentou se mexer, mas o médico o impediu dizendo:
- Só se for nome de guerra... Ele chegou aqui como Adenair e agora é Adenaíra...
- Adenaíra? - espantou-se.
- Sim... Ele submeteu-se ontem a uma cirurgia para mudança de sexo. Mas talvez nunca aproveite sua nova anatomia...
- Porque doutor? Porque doutor?
O homem tomou um longo fôlego antes de explicar a Thiago o drama do ex-irmão, agora irmã, de Jeitosinha.

Gente, já pensou isso no cinema, com a Cameron Diaz de Jeitosinha?
Mais emoções e podridão amanhã, em um capítulo inédito!

terça-feira, 9 de abril de 2013

Jeitosinha - Cap. XXV


Capítulo XXV

E agora... Thiago?

Jeitosinha estava livre de sua influência maligna mas, curiosamente, não pensava em abandonar o bordel de Madame Mary.
A misteriosa mulher - que ela mal vira e que não poderia reconhecer sob a máscara - de alguma maneira fez com que recuperasse sua autoestima.
Na casa de encontros a aceitavam como ela era. E agora havia ainda Laura Croft, a linda ruiva que havia despertado estranhas emoções em Jeitosinha. Ela vinha, aliás, fazendo um esforço
sobre-humano para esquecer Thiago e tentava se apegar à emoção daquela tarde de prazer como se residisse ali a sua salvação.
Se Jeitosinha agora via o bordel como uma benção, poderia então perdoar Arlindo.
Só que não!
Muito pelo contrário, Jeitosinha havia planejado para o irmão uma terrível vingança...
Quanto aos pais, o próprio destino havia se encarregado da punição:
   Ambrósio era agora um ser desprezível, débil e deformado.
   E sua mãe, que presa a suas convenções sociais jamais encararia a separação, estava condenada a aturar aquele ser repugnante, babão pelo resto de suas vidas.

Jeitosinha estava imersa neste tipo de reflexão quando alguém bateu à porta.
Arlindo foi atender e deparou-se com uma morena exuberante, demais ou menos trinta anos. Ela tinha cabelos negros e lisos, à altura dos ombros. Os olhos de um azul cristalino contrastavam com a pele clara. Paralisado, Arlindo nem se deu ao trabalho de cumprimentá-la.
Então, mostrando um distintivo ela se apresentou:
- Sou a detetive Vanessa, da Polícia Civil. Vim investigar o desaparecimento de Ambrósio.

Todos na casa, inclusive o próprio Ambrósio, trocaram olhares surpresos.

Longe dali, a primeira coisa que Thiago viu foi uma luz branca e intensa. O rosto de Jeitosinha sorria para ele, emoldurada por
centenas de pênis de todos os tamanhos e formas. - Estou na paraíso! - sussurrou.

Como Jeitosinha irá reagir quando souber o que houve com Thiago?

Confira no próximo capítulo de JEITOSINHA, amanhã!

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Jeitosinha - Cap. XXIV


Capítulo XXIV

A reação de Ambrósio

Por trinta segundos, que pareceram uma eternidade, Jeitosinha e Ambrósio se encararam fixamente. Ela vinha aprendendo no bordel de Madame Mary tudo sobre a arte da dissimulação, e conseguiu camuflar o medo, a surpresa e a confusão mental que lhe causava a imagem, ali na sua frente, do homem que assassinara.
A expressão de Ambrósio era inocente, quase infantil. O fio de baba intermitente continuava a banhar-lhe o queixo.
Olhando aquela imagem horrenda, Jeitosinha notou a leve movimentação de seus ombros e peitoral, num ato simples de inspiração, percebeu – como se fosse em câmera lenta – que estava se preparando para falar. Neste momento mil ideias passaram em sua mente, imaginando o que aquele quebra-cabeças mal montado iria perguntar. Calculou mentalmente repostas para todas as perguntas imaginadas, até que enfim um segundo se passou e Ambrósio, com sua voz pastosa, acabando com o constrangedor silêncio, perguntou:

- Quem é você?

Jeitosinha suspirou aliviada. Continuava sem entender o que havia acontecido. As marcas de cortes no rosto e braços de Ambrósio indicavam que ela realmente o havia ferido, mas talvez não tivesse consumado o crime, pensou.
Talvez tenha sofrido alguma espécie de alucinação durante o ataque com a serra elétrica.
Talvez Ambrósio tenha conseguido sair da casa, se arrastando. Mesmo assim, quem limpara o chão e os móveis?
Nada disso era tão importante quanto o fato de que o pai, talvez pelo choque de ter sido vitimado pela própria filha, não conseguia reconhecê-la. "Deve ser algum tipo de defesa emocional", concluiu.
Muito mais desconfortável com a situação estava Arlindo. Seu plano de explorar a irmã se esvaziara, em parte, com a reação do pai ao vê-la. Se Ambrósio não reconhecia Jeitosinha e havia perdido sua índole opressora, o que a irmã teria a temer?
De fato, a moça não tinha mais nada a perder. Depois da decepção com seu amado Thiago e todas as emoções que tomaram sua vida de assalto, o futuro se configurava diferente. Ela trocou olhares com Arlindo. Sorriu, superiora e ele entendeu o recado.

Do outro lado da cidade, o angustiado Thiago toma sua decisão. Virando a arma em direção à própria cabeça, ele finalmente aperta o gatilho.
Ele morreu? Ele morreu?
Descubra amanhã, em mais um capítulo inédito!

(Autor Desconhecido)
Texto adaptado por Tina Chaves

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Jeitosinha - Cap. XXIII


Capítulo XXIII

Adenair irá...?

- Jeitosinha?
Enquanto Ambrósio refletia sobre aquele nome, achando muito estranha o efeito que lhe causava, Jeitosinha, subia os poucos degraus que davam acesso da rua até a casa, prestes a abrir a porta de entrada para estar frente a frente com o pai que matara!

Ao mesmo tempo, no hospital público, Adenair acordava da anestesia.
- C-como foi a cirurgia, doutor? - perguntou ao homem de branco parado ao seu lado.
- Foi bem. Não consegui fazer um acabamento muito bonito. Sabe como é, né? Cirurgia plástica é uma coisa complicada, ainda mais nesses casos... Mas eu mesmo já vi muita vagina natural mais feia por aí! He...He... - o médico amigo de Dona Nair insistia em seu humor infame.
Adenair deu um sorrisinho sem graça, ainda sentindo as dores da cirurgia.
- Meu pênis, doutor... O que vocês fizeram com ele? - Mesmo detestando-o  e considerando-o um corpo estranho, Adenair sabia que era um pedaço seu que havia sido extirpado. E lhe assustava a ideia de que ele pudesse ter ido parar numa cesta de lixo hospitalar...
- Fizemos um transplante. Ele agora pertence a um marombeiro adepto do sexo bizarro, que perdeu o dele quando recebia carinhos orais de um pitt-bull...
- Melhor assim! - Animou-se Adenair - quando recebo alta?
- Amanhã, se tudo correr bem.
"Vai dar tudo certo", pensou o - ou melhor - a jovem.
"Vou virar uma linda mulher, como Jeitosinha, e conquistar o coração de Thiago!"

Será que Adenir irá impedir Thiago?
Qual será o plano de Adenaíra?

No seu apartamento, Thiago ainda olhava fixamente a arma. Sentia-se ultrajado, perdido, confuso e traído. Mas não conseguia evitar que a imagem de sua loira amada lhe viesse à cabeça. "Onde ela estará agora?", perguntava-se.
Mal sabia ele que Jeitosinha, naquele momento, abria a porta de entrada de sua casa...

Qual será a reação de Ambrósio?
A pergunta continua sendo a mesma, afinal ela ainda não abriu a porta.

Empolgante! Sensual! Nojenta! A sua novela continua amanhã, em mais um capítulo inédito.

(Autor desconhecido)
Texto adaptado por Tina Chaves

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Jeitosinha - Cap. XXII


Capítulo XXII

A volta de Ambrósio

Marilena acordou em sua cama, com uma sensação estranha, uma mistura de medo, surpresa, nojo.
Levantou-se meio tonta, colocando a mão na cabeça, sentindo um leve desconforto.
Caminhando até a cozinha viu Aníbal lavando um copo. Anibal  é um dos filhos menos importantes, daqueles que só fazem figuração na trama.
- Anibal... Que sonho horrível... Pensei que seu pai...
- Não foi um sonho, mamãe. Ele voltou! A mulher gritou em total desespero:
- Não pode ser! Não pode ser!
O filho estranhou a reação. Alheio aos problemas que infernizavam a vida de Marilena, Jeitosinha e Adenair (ou Adenaíra, sei lá), sem saber que Ambrósio era a causa de muito sofrimento, esperava da mãe uma manifestação de alegria.
- Mãe... Você não entende? O papai voltou! Meio caidaço, é verdade, mas está vivo! Você deveria estar feliz!
A mulher esboçou um sorriso forçado:
- Sim, meu amor. Claro. Foi só o susto. Claro que estou feliz.
Neste instante, já de banhozinho tomado e vestindo um velho e confortável pijama, Ambrósio entra.
- Marilena...
- É você mesmo, Ambrósio? - perguntou a mulher.
- Estou tão deformado assim? Claro que sou eu!
Ambrósio não tinha na voz a rispidez habitual. Parecia fragilizado. Sua fala era pastosa. Um canto da boca não se mexia e um fio permanente de baba escorria rumo ao pescoço.
- O que aconteceu com você?
- Não me lembro. Não consigo me lembrar de muita coisa. Vaguei pelas redondezas e aos poucos as memórias foram voltando... Nossa casa, você, nossos filhos...
- E sobre o acidente que o mutilou?
- Acidente? Então foi um acidente? Eu não me lembro de nada. Só vejo uma cena estranha... Assustadora e irreal. Não quero falar sobre isso.
Os olhos do homem transmitiam o pavor que lhe causava a simples menção da cena. A imagem que vinha à sua cabeça era a do travesti, loiro e nu, seu órgão masculino ativado pelo prazer em contraste com os belos seios para os quais Ambrósio olhava fixamente. O som da serra elétrica roubando sua atenção e de repente a visão manchada pelo vermelho de seu próprio sangue.
- Ambrósio? Ambrósio?
- Ãh?
- Acorda homem.
- Olha mãe a Jeitosinha chegou! – gritou Anibal
- Jeitosinha? – espantou-se Ambrósio

Qual será a reação de Ambrósio?

Confira no próximo capítulo de JEITOSINHA!

(Autor Desconhecido)

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Jeitosinha - Cap. XXI


Capítulo XXI

Bilhete de Adenair

O sol despencou no horizonte tingindo o céu de vermelho. A silhueta perfeita de Jeitosinha, seus longos cabelos loiros, seios voluptuosos, coxas grossas e bumbum empinado, recortados pelo céu do entardecer, eram uma visão idílica. A moça coçou o saco e cuspiu no chão.
- P ô r r a, mais essa agora. Achei muito bom ser homem... - resmungou, no jardim florido da casa de Madame Mary, ainda sentindo na boca o gosto de sexo.
Da janela, a ruiva que havia sido possuída por Jeitosinha, cujo nome de guerra era Laura Croft, suspirava diante da visão do mais radiante e sensual ser humano que já havia conhecido. E olha que ela já tinha transado com uns três maracanãs lotados.
Em seu apartamento, do outro lado da cidade, o angustiado Thiago olhava fixamente o revólver que empunhava. Acabar com a própria vida parecia ser a solução mais plausível para conseguir um pouco de conforto.
Na casa de Jeitosinha, um fio de lágrima escorria pelo rosto de Marilena enquanto ela lia o bilhete deixado por seu filho Adenair:
"Querida mamãe, sem a presença opressora de papai, não vejo mais razão para negar minha própria natureza. A verdade é que, embora na teoria tenha dado à luz sete varões, na prática a senhora tem duas filhas. Me sinto tão mulher quanto Jeitosinha. Não tive, como ela, o privilégio de desfrutar da condição feminina, mesmo que por alguns anos de ilusão. Mas estou disposta a recuperar o tempo perdido. Amanhã terei
extirpado de mim, definitivamente, a minha masculinidade. Quero ser uma mulher total. Então vou poder conquistar o coração de Thiago, me casar com ele até ter dois filhos: Claudney Felipe e Luana Piovani Aparecida. Beijos. Adenaíra"
As pernas da sofrida mulher não conseguiram sustentar o peso do corpo. Sentada no sofá, amassando a pequena nota entre os dedos, Marilena pensava em como sua vida havia se transformado em questão de dias.
- Meu Deus... O que poderia ser pior? - Perguntava-se, em voz alta. Neste momento um homem sujo e deformado, metido em roupas fétidas, mancando e babando, abre abruptamente a porta.
- Querida, cheguei!
Ambrósio está de volta!
Não perca, a seguir, capítulo inédito da obra mais trash dos últimos tempos...