terça-feira, 9 de abril de 2013

Jeitosinha - Cap. XXV


Capítulo XXV

E agora... Thiago?

Jeitosinha estava livre de sua influência maligna mas, curiosamente, não pensava em abandonar o bordel de Madame Mary.
A misteriosa mulher - que ela mal vira e que não poderia reconhecer sob a máscara - de alguma maneira fez com que recuperasse sua autoestima.
Na casa de encontros a aceitavam como ela era. E agora havia ainda Laura Croft, a linda ruiva que havia despertado estranhas emoções em Jeitosinha. Ela vinha, aliás, fazendo um esforço
sobre-humano para esquecer Thiago e tentava se apegar à emoção daquela tarde de prazer como se residisse ali a sua salvação.
Se Jeitosinha agora via o bordel como uma benção, poderia então perdoar Arlindo.
Só que não!
Muito pelo contrário, Jeitosinha havia planejado para o irmão uma terrível vingança...
Quanto aos pais, o próprio destino havia se encarregado da punição:
   Ambrósio era agora um ser desprezível, débil e deformado.
   E sua mãe, que presa a suas convenções sociais jamais encararia a separação, estava condenada a aturar aquele ser repugnante, babão pelo resto de suas vidas.

Jeitosinha estava imersa neste tipo de reflexão quando alguém bateu à porta.
Arlindo foi atender e deparou-se com uma morena exuberante, demais ou menos trinta anos. Ela tinha cabelos negros e lisos, à altura dos ombros. Os olhos de um azul cristalino contrastavam com a pele clara. Paralisado, Arlindo nem se deu ao trabalho de cumprimentá-la.
Então, mostrando um distintivo ela se apresentou:
- Sou a detetive Vanessa, da Polícia Civil. Vim investigar o desaparecimento de Ambrósio.

Todos na casa, inclusive o próprio Ambrósio, trocaram olhares surpresos.

Longe dali, a primeira coisa que Thiago viu foi uma luz branca e intensa. O rosto de Jeitosinha sorria para ele, emoldurada por
centenas de pênis de todos os tamanhos e formas. - Estou na paraíso! - sussurrou.

Como Jeitosinha irá reagir quando souber o que houve com Thiago?

Confira no próximo capítulo de JEITOSINHA, amanhã!

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Jeitosinha - Cap. XXIV


Capítulo XXIV

A reação de Ambrósio

Por trinta segundos, que pareceram uma eternidade, Jeitosinha e Ambrósio se encararam fixamente. Ela vinha aprendendo no bordel de Madame Mary tudo sobre a arte da dissimulação, e conseguiu camuflar o medo, a surpresa e a confusão mental que lhe causava a imagem, ali na sua frente, do homem que assassinara.
A expressão de Ambrósio era inocente, quase infantil. O fio de baba intermitente continuava a banhar-lhe o queixo.
Olhando aquela imagem horrenda, Jeitosinha notou a leve movimentação de seus ombros e peitoral, num ato simples de inspiração, percebeu – como se fosse em câmera lenta – que estava se preparando para falar. Neste momento mil ideias passaram em sua mente, imaginando o que aquele quebra-cabeças mal montado iria perguntar. Calculou mentalmente repostas para todas as perguntas imaginadas, até que enfim um segundo se passou e Ambrósio, com sua voz pastosa, acabando com o constrangedor silêncio, perguntou:

- Quem é você?

Jeitosinha suspirou aliviada. Continuava sem entender o que havia acontecido. As marcas de cortes no rosto e braços de Ambrósio indicavam que ela realmente o havia ferido, mas talvez não tivesse consumado o crime, pensou.
Talvez tenha sofrido alguma espécie de alucinação durante o ataque com a serra elétrica.
Talvez Ambrósio tenha conseguido sair da casa, se arrastando. Mesmo assim, quem limpara o chão e os móveis?
Nada disso era tão importante quanto o fato de que o pai, talvez pelo choque de ter sido vitimado pela própria filha, não conseguia reconhecê-la. "Deve ser algum tipo de defesa emocional", concluiu.
Muito mais desconfortável com a situação estava Arlindo. Seu plano de explorar a irmã se esvaziara, em parte, com a reação do pai ao vê-la. Se Ambrósio não reconhecia Jeitosinha e havia perdido sua índole opressora, o que a irmã teria a temer?
De fato, a moça não tinha mais nada a perder. Depois da decepção com seu amado Thiago e todas as emoções que tomaram sua vida de assalto, o futuro se configurava diferente. Ela trocou olhares com Arlindo. Sorriu, superiora e ele entendeu o recado.

Do outro lado da cidade, o angustiado Thiago toma sua decisão. Virando a arma em direção à própria cabeça, ele finalmente aperta o gatilho.
Ele morreu? Ele morreu?
Descubra amanhã, em mais um capítulo inédito!

(Autor Desconhecido)
Texto adaptado por Tina Chaves

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Jeitosinha - Cap. XXIII


Capítulo XXIII

Adenair irá...?

- Jeitosinha?
Enquanto Ambrósio refletia sobre aquele nome, achando muito estranha o efeito que lhe causava, Jeitosinha, subia os poucos degraus que davam acesso da rua até a casa, prestes a abrir a porta de entrada para estar frente a frente com o pai que matara!

Ao mesmo tempo, no hospital público, Adenair acordava da anestesia.
- C-como foi a cirurgia, doutor? - perguntou ao homem de branco parado ao seu lado.
- Foi bem. Não consegui fazer um acabamento muito bonito. Sabe como é, né? Cirurgia plástica é uma coisa complicada, ainda mais nesses casos... Mas eu mesmo já vi muita vagina natural mais feia por aí! He...He... - o médico amigo de Dona Nair insistia em seu humor infame.
Adenair deu um sorrisinho sem graça, ainda sentindo as dores da cirurgia.
- Meu pênis, doutor... O que vocês fizeram com ele? - Mesmo detestando-o  e considerando-o um corpo estranho, Adenair sabia que era um pedaço seu que havia sido extirpado. E lhe assustava a ideia de que ele pudesse ter ido parar numa cesta de lixo hospitalar...
- Fizemos um transplante. Ele agora pertence a um marombeiro adepto do sexo bizarro, que perdeu o dele quando recebia carinhos orais de um pitt-bull...
- Melhor assim! - Animou-se Adenair - quando recebo alta?
- Amanhã, se tudo correr bem.
"Vai dar tudo certo", pensou o - ou melhor - a jovem.
"Vou virar uma linda mulher, como Jeitosinha, e conquistar o coração de Thiago!"

Será que Adenir irá impedir Thiago?
Qual será o plano de Adenaíra?

No seu apartamento, Thiago ainda olhava fixamente a arma. Sentia-se ultrajado, perdido, confuso e traído. Mas não conseguia evitar que a imagem de sua loira amada lhe viesse à cabeça. "Onde ela estará agora?", perguntava-se.
Mal sabia ele que Jeitosinha, naquele momento, abria a porta de entrada de sua casa...

Qual será a reação de Ambrósio?
A pergunta continua sendo a mesma, afinal ela ainda não abriu a porta.

Empolgante! Sensual! Nojenta! A sua novela continua amanhã, em mais um capítulo inédito.

(Autor desconhecido)
Texto adaptado por Tina Chaves

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Jeitosinha - Cap. XXII


Capítulo XXII

A volta de Ambrósio

Marilena acordou em sua cama, com uma sensação estranha, uma mistura de medo, surpresa, nojo.
Levantou-se meio tonta, colocando a mão na cabeça, sentindo um leve desconforto.
Caminhando até a cozinha viu Aníbal lavando um copo. Anibal  é um dos filhos menos importantes, daqueles que só fazem figuração na trama.
- Anibal... Que sonho horrível... Pensei que seu pai...
- Não foi um sonho, mamãe. Ele voltou! A mulher gritou em total desespero:
- Não pode ser! Não pode ser!
O filho estranhou a reação. Alheio aos problemas que infernizavam a vida de Marilena, Jeitosinha e Adenair (ou Adenaíra, sei lá), sem saber que Ambrósio era a causa de muito sofrimento, esperava da mãe uma manifestação de alegria.
- Mãe... Você não entende? O papai voltou! Meio caidaço, é verdade, mas está vivo! Você deveria estar feliz!
A mulher esboçou um sorriso forçado:
- Sim, meu amor. Claro. Foi só o susto. Claro que estou feliz.
Neste instante, já de banhozinho tomado e vestindo um velho e confortável pijama, Ambrósio entra.
- Marilena...
- É você mesmo, Ambrósio? - perguntou a mulher.
- Estou tão deformado assim? Claro que sou eu!
Ambrósio não tinha na voz a rispidez habitual. Parecia fragilizado. Sua fala era pastosa. Um canto da boca não se mexia e um fio permanente de baba escorria rumo ao pescoço.
- O que aconteceu com você?
- Não me lembro. Não consigo me lembrar de muita coisa. Vaguei pelas redondezas e aos poucos as memórias foram voltando... Nossa casa, você, nossos filhos...
- E sobre o acidente que o mutilou?
- Acidente? Então foi um acidente? Eu não me lembro de nada. Só vejo uma cena estranha... Assustadora e irreal. Não quero falar sobre isso.
Os olhos do homem transmitiam o pavor que lhe causava a simples menção da cena. A imagem que vinha à sua cabeça era a do travesti, loiro e nu, seu órgão masculino ativado pelo prazer em contraste com os belos seios para os quais Ambrósio olhava fixamente. O som da serra elétrica roubando sua atenção e de repente a visão manchada pelo vermelho de seu próprio sangue.
- Ambrósio? Ambrósio?
- Ãh?
- Acorda homem.
- Olha mãe a Jeitosinha chegou! – gritou Anibal
- Jeitosinha? – espantou-se Ambrósio

Qual será a reação de Ambrósio?

Confira no próximo capítulo de JEITOSINHA!

(Autor Desconhecido)

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Jeitosinha - Cap. XXI


Capítulo XXI

Bilhete de Adenair

O sol despencou no horizonte tingindo o céu de vermelho. A silhueta perfeita de Jeitosinha, seus longos cabelos loiros, seios voluptuosos, coxas grossas e bumbum empinado, recortados pelo céu do entardecer, eram uma visão idílica. A moça coçou o saco e cuspiu no chão.
- P ô r r a, mais essa agora. Achei muito bom ser homem... - resmungou, no jardim florido da casa de Madame Mary, ainda sentindo na boca o gosto de sexo.
Da janela, a ruiva que havia sido possuída por Jeitosinha, cujo nome de guerra era Laura Croft, suspirava diante da visão do mais radiante e sensual ser humano que já havia conhecido. E olha que ela já tinha transado com uns três maracanãs lotados.
Em seu apartamento, do outro lado da cidade, o angustiado Thiago olhava fixamente o revólver que empunhava. Acabar com a própria vida parecia ser a solução mais plausível para conseguir um pouco de conforto.
Na casa de Jeitosinha, um fio de lágrima escorria pelo rosto de Marilena enquanto ela lia o bilhete deixado por seu filho Adenair:
"Querida mamãe, sem a presença opressora de papai, não vejo mais razão para negar minha própria natureza. A verdade é que, embora na teoria tenha dado à luz sete varões, na prática a senhora tem duas filhas. Me sinto tão mulher quanto Jeitosinha. Não tive, como ela, o privilégio de desfrutar da condição feminina, mesmo que por alguns anos de ilusão. Mas estou disposta a recuperar o tempo perdido. Amanhã terei
extirpado de mim, definitivamente, a minha masculinidade. Quero ser uma mulher total. Então vou poder conquistar o coração de Thiago, me casar com ele até ter dois filhos: Claudney Felipe e Luana Piovani Aparecida. Beijos. Adenaíra"
As pernas da sofrida mulher não conseguiram sustentar o peso do corpo. Sentada no sofá, amassando a pequena nota entre os dedos, Marilena pensava em como sua vida havia se transformado em questão de dias.
- Meu Deus... O que poderia ser pior? - Perguntava-se, em voz alta. Neste momento um homem sujo e deformado, metido em roupas fétidas, mancando e babando, abre abruptamente a porta.
- Querida, cheguei!
Ambrósio está de volta!
Não perca, a seguir, capítulo inédito da obra mais trash dos últimos tempos...

terça-feira, 19 de março de 2013

JEITOSINHA - Cap. XIII

Capítulo XIII
Reconciliação de Jeitosinha e Thiago
A família finalmente percebeu que Ambrósio estava desaparecido. Ele
não havia voltado da pescaria nem dado sinal de vida. Marilena chamou
a Polícia, que pareceu não dar muita importância à ocorrência. Os dois
policiais fizeram poucas perguntas, anotaram um boletim de forma
burocrática e se foram em poucos minutos, levando uma foto do homem.
Jeitosinha chegou em casa quase na hora do almoço. Os irmãos não
perceberam que ela passara a noite fora, mas sua mãe sim.
- Onde você estava? - perguntou. Jeitosinha ignorou a abordagem.
Sorte sua seu pai não estar por aqui. Ele não ia gostar disso... -
insistiu Marilena, com um tom seco de reprovação na voz. A resposta da
filha foi carregada de ironia:
- O que poderia preocupá-lo, mamãe? O risco de que eu perca a
virgindade ou volte grávida para casa?
Marilena tentou acariciar o cabelo da filha, que afastou sua mão com
um gesto brusco.
- Não me encoste! Eu odeio você! Um fio de lágrima escorreu pela face
esquerda da sofrida mãe.
- Querida... Você é tão jovem... Tem uma vida pela frente! Ainda há tempo
de encontrar a felicidade...
- Como eu poderia ser feliz? Eu sou uma mulher aprisionada no corpo de
um homem!
- Veja o lado positivo... - tentou consertar Marilena - Você não tem
tensão pré-menstrual, não precisa sentar-se em privadas sujas de
boate... Mantenha a calma e a resignação. Você ainda encontrará algum
homem que a aceite como você é!
"Sim", conjecturou Jeitosinha. "Este homem talvez seja Thiago. Mas
como ele estará se sentindo depois de nossa estranha noite de amor?".
Ela pensou durante todo o dia no seu amado, reunindo forças para
enfrentar sua primeira noite no bordel de luxo.
Curiosamente, a expectativa de entregar-se a estranhos não a
incomodava. Desde a revelação de sua condição, ela não se reconhecia
naquele corpo. Não sentia que tivesse que zelar dele.
Eram nove da noite quando Jeitosinha entrou no fusca de Arlindo, rumo
à casa de encontros. O local ficava próximo, mas era preciso percorrer
um pequeno trecho numa estrada pouco movimentada.
Justamente quando passavam pela parte mais escura e deserta do
percurso, uma luz surgida do nada cegou momentaneamente Arlindo,
impedindo-o de dirigir. O rapaz pisou no freio abruptamente. Antes que
pudessem esboçar qualquer reação, as duas portas do carro foram
abertas, e o casal foi retirado de dentro do veículo por mãos
poderosas.
Pouco antes de tomar uma descarga elétrica que a faria perder os
sentidos, Jeitosinha pôde ver a face de seus raptores: eram
homenzinhos verdes vestindo estranhos macacões prateados.
Jeitosinha e Arlindo nas mãos de ETs!
Confira amanhã o próximo e emocionante capítulo!"


(Autor Desconhecido)
Texto adaptado por Tina Chaves

segunda-feira, 18 de março de 2013

JEITOSINHA - Cap. XII


Capítulo XII

Pretensões de Arlindo

Jeitosinha não acreditava no que acabava de ouvir. Desde a revelação de seu trágico segredo, sentia-se num pesadelo sem fim. Não bastasse todo o ódio em seu coração, o estranho desfecho da morte do pai e a perda de Thiago, seu amado, agora a nossa heroína era chantageada pelo cruel Arlindo!
- Você quer que eu me prostitua?
- Sim. - confirmou o irmão, sem um pingo de emoção na voz - Existe um bordel de luxo aqui perto de casa...Pessoas exóticas como você podem ter um bom valor no mercado.
- Ma-mas... Eu sou virgem! Sou inocente! - retrucou Jeitosinha, aos prantos.
- Pois você tem até amanhã para aprender o que precisa.
Arlindo deixou o quarto da loira batendo a porta. Adenair entrou em seguida, curioso para saber o que acontecera. Jeitosinha contou resumidamente a história.
- Mas não pode ser! Você precisará matá-lo também! - reagiu o enrustido, batendo o pezinho nervosamente.
- Sim, mas não poderei fazê-lo agora. Não com o estranho desaparecimento do corpo de papai. Precisamos desvendar primeiro este mistério - disse Jeitosinha, recompondo-se.
- Então você...
- Não resta outra alternativa, Adenair. Terei que me submeter aos caprichos de Arlindo. E pode ter certeza: amanhã estarei mais pronta do que ele pensa!
 
***
Pela primeira vez desde o rompimento, Jeitosinha voltou àquela noite ao apartamento do Thiago. Encontrou-o em estado de total desespero, sorvendo doses e mais doses de uísque barato.
- Você destruiu a minha vida! - Lamentou o jovem.
A loira, usando um vestidinho curto, sentou-se no seu colo. Numa explosão de luxúria, enfiou a língua na boca de Thiago, antes que ele pudesse esboçar qualquer reação.
Num primeiro momento ele retribuiu ao carinho, mas logo lembrou-se de que estava beijando um homem. Rejeição e desejo se sucediam em ondas no coração de Thiago. Mas ele havia bebido bastante e amava Jeitosinha...
No dia seguinte, consumada uma louca e completa noite de amor, a loira acordou e viu Thiago, de pé, contemplando-a. Ela abriu um sorriso, mas não foi retribuída.
- Você é tão bonita... - murmurou o rapaz, com um semblante que mais sugeria um lamento que um elogio.
- O que você achou da noite, meu amor?
- Eu... Eu estou confuso... Foi tudo muito diferente... Me vi fazendo coisas que nunca imaginei ser capaz...
- Calma, amor... - respondeu docemente Jeitosinha - Sente-se aqui ao meu lado. Vamos conversar melhor sobre isso...
- Bem... - respondeu Thiago, com um sorrisinho sem graça, podemos até conversar. Mas sentar eu não consigo...
Jeitosinha e Thiago irão se reconciliar?
Confira o próximo e emocionante capítulo de "A SAGA DE JEITOSINHA"

sexta-feira, 15 de março de 2013

JEITOSINHA - Cap. XI


Capítulo XI

Revolta de Arlindo

- Você nunca me enganou, Jeitosinha... - a voz de Arlindo destilava revolta e ódio.
- Vou contar teu segredo ao papai, assim que ele voltar da pescaria! Aliás, vou contar ao mundo!
- Contar ao papai? - espantou-se a moça. Então, Arlindo não sabia que o pai estava morto! Não foi ele quem escondeu o corpo! Jeitosinha estava tão fragilizada que acabou assumindo sua bizarra condição ao irmão.
- Sim, Arlindo. Sou uma mulher aprisionada no corpo de um homem. Mas sou a maior vítima desta situação! Eu lhe imploro: não revele o meu segredo!
- Não adianta, Jeitosinha... - retrucou o magoado Arlindo - Toda a minha vida brinquei com cavalinhos feitos de palitos de fósforo fincados em batatas, enquanto a princesa tinha os mais caros brinquedos. Toda a minha vida dormi espremido num beliche, com os pés do Amarildo tocando as minhas narinas, enquanto você tinha seu quarto e finos lençóis de seda...
Arlindo agarrou Jeitosinha pelos braços e fitou o fundo de seus olhos.
- Mas o que eu nunca vou perdoar mesmo foi aquela surra que levei quando descobri a verdade sobre você... - Arlindo tremia de rancor.
- Mas nem eu mesma sabia! - Tentou defender-se Jeitosinha.
- Chega! Chega de suas mentiras!
- Arlindo virou-se em direção à porta. A irmã, desesperada, lançou-se ao chão e abraçou seus pés.
- Não, Arlindo... Por favor! Eu faço qualquer coisa!
- Qualquer coisa? - O tom do rapaz agora era mais suave. - Comece mostrando-se para mim. Quero vê-la nua!
Relutante, Jeitosinha livrou-se de suas roupas e revelou seu corpo perfeito de mulher. Bem, quase perfeito.
- Não é justo... - balbuciou Arlindo, apontando o apêndice que fazia de Jeitosinha um quadro surrealista - Até neste quesito você ganha de mim...
- Por favor, não seja rude comigo...
- O que? - espantou -se o moço - Você imaginou que eu quero tocar você?
É ruim, hein?
- Mas... O que você quer então? - Perguntou a moça, voltando a se vestir...
- Você vai me render dinheiro, irmãzinha. Muito dinheiro!
O que Arlindo pretende? Como Jeitosinha sairá dessa?
Confira, no próximo e emocionante capítulo!

quinta-feira, 14 de março de 2013

JEITOSINHA - Cap. X


Capítulo X

Mistério na casa de Jeitosinha

Naquela manhã de segunda, a mãe e os sete irmãos sentaram-se juntos para o café, na longa mesa da copa. Era tradicionalmente o momento em que a família colocava seus assuntos em dia. Mas um silêncio incômodo pairava no ar. Jeitosinha sondou cada rosto, buscando em algum deles um sinal que indicasse quem teria escondido o corpo de Ambrósio. É claro que o pai não retornara da pescaria na noite anterior. Mas
porque ninguém parecia se importar com o fato? Disfarçando o nervosismo, a moça arriscou perguntar à mãe:
- O papai não voltaria ontem?
- Sim, querida - respondeu Marilena - Mas ele ligou dizendo que uma ponte caiu e que eles estão isolados na vila onde foram pescar.
- Era a voz dele, mãe? Tem certeza?
- Que pergunta... Claro, minha filha. A ligação estava ruim, mal escutei o que ele dizia. Mas quem mais poderia ser?
Arlindo, o ciumento irmão mais velho, esboçou um sorriso enigmático, que Jeitosinha rapidamente captou como um indício de culpa. "Sim! Arlindo! Só pode ser ele!", pensou. "Arlindo sempre desconfiou de que havia algo errado comigo. Ele nunca perdoou papai pelo carinho que me dedicava. Ele sabe, por alguma razão, que fui eu quem matou papai e apagou as evidências como parte de um plano de vingança! Mas porque esconder o corpo, em vez de simplesmente me entregar à polícia?".
As perguntas atormentavam a mente limitada de nossa heroína loira. Ela voltou para o quarto, cobriu o rosto com o travesseiro e começou a chorar baixinho. No princípio, chorava por medo. Pela confusão que tomara conta de sua vida. Mas logo sua dor se transfigurou, e Jeitosinha passou a verter seu pranto por saudades do seu Thiago.
Lembrava-se das mãos do amado percorrendo seu corpo. Sentiu um calafrio e uma onda de excitação só de imaginar o toque suave de seus dedos. Neste momento, abruptamente, Arlindo abre a porta. Jeitosinha ainda tem tempo de disfarçar as lágrimas. Mas não a ereção.
- Ahá... Eu sabia! - Bradou o irmão, radiante, enquanto uma descarga de adrenalina fazia desaparecer do jeans apertado o volume comprometedor.
Conseguirá Jeitosinha escapar da revolta de Arlindo?
Confira mais tarde no próximo e emocionante capítulo!

quarta-feira, 13 de março de 2013

JEITOSINHA - Cap. IX


Capítulo IX

A surpresa

Passava da meia-noite quando Jeitosinha voltou para casa. Seu álibi foi perfeito: consumiu as últimas horas estudando Geografia com uma amiga, como costumava fazer.
Ela estava impressionada com a própria frieza: conseguiu concentrar-se nos livros e conversar amenidades, como se nada tivesse acontecido.
Mas ainda sentia nas mãos o tremor da serra elétrica. Os gritos de Ambrósio continuavam ecoando em seus ouvidos. Eram sensações surpreendentemente gostosas. Arrependimento mesmo, só o de ter perdido o capítulo da novela das nove. "A mamãe eu matarei na hora do Jornal Nacional", jurou para si mesma.
As luzes da sala estavam acesas. Viu pela janela os vultos de seus familiares. Entrou pela porta principal, preparando-se para fingir dor e desespero ao se deparar com os pedaços de carne e ossos de seu pai espalhados pela sala. Mas qual não foi o seu espanto ao perceber que não havia na casa um só vestígio de seu crime hediondo! Quatro de seus irmãos, inclusive Adenair, estavam assistindo TV, tranquilamente. Sua mãe havia se recolhido ao quarto.
- Onde está o papai? - perguntou.
- Foi pescar - respondeu Amarildo, o segundo filho de Ambrósio e Marilena.
- Pescar?
- Sim, deixou um bilhete com a mamãe, dizendo que resolveu na última hora e que volta amanhã à noite.
As belas pernas de Jeitosinha estremeceram e ela sentiu uma estranha vertigem. Realmente seu pai era dado a estes rompantes e o sumiço não chegava a espantar ninguém em sua casa. "Será que tudo não passou de uma alucinação?", questionou-se. Mas não. Observando o revestimento plástico do sofá onde o crime havia acontecido, percebeu o cheiro de detergente e marcas de pano, que sugeriam uma limpeza recente.
Jeitosinha puxou seu cúmplice, Adenair, até o quarto.
- O que está acontecendo?
- Eu é que te pergunto! - retrucou o irmão - Você não ia matar o papai?
- Matei! Eu matei! Alguém escondeu os restos, limpou a sala e ainda deixou um falso bilhete para a mamãe!
Adenair deu um gritinho ansioso e histérico. Jeitosinha esbofeteou-lhe a face e disse, resoluta:
- Calma. Você já esperou mais de 20 anos. Não acho que seja a melhor hora pra soltar a franga...
Aguardem próximo capítulo!